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A BRUXA NO IMAGINÁRIO SOCIAL

  • 13 de mar. de 2021
  • 12 min de leitura

Atualizado: 17 de mar. de 2021


(Foto por Marina Vitale @marina_mv88)


A bruxa sempre fez parte do imaginário social pelas diversas características atribuídas à ela durante e depois da caça às bruxas. A igreja inseriu essas características marcantes através do sensacionalismo, que gerou muita fofoca e boatos. Muitas mulheres julgadas e condenadas pela prática de bruxaria foram demonizadas, associadas ao diabólico e pecaminoso, vindo totalmente contra a ideia sacra da igreja, que pregava a santidade e boa conduta, principalmente de mulheres. Cria-se a partir disso os estereótipos de mulheres boas e más tão bem representadas em diversas áreas de nossas vidas.


"Embora múltiplos fatores tenham se combinado para produzir um clima em que o medo de bruxas se desenvolve, existe consenso de que na raiz das caças às bruxas está uma batalha feroz pela sobrevivência que assume a forma de luta intergeracional." (Silvia Federici. Mulheres e Caça às Bruxas)


O uso pejorativo do termo bruxa, que vem desde o século XIX como herança cultural de um tempo sombrio, marcado por inconstâncias políticas, econômicas e religiosas na Europa medieval, e apesar de ser considerado até hoje algo negativo, representa muito mais do que praticar bruxaria, representa resistência feminina em um tempo onde o genocídio era liberado e aprovado não só pelo governo e pelas religiões dominantes, mas inclusive e fortemente pelas pessoas comuns. O termo foi usado no pejorativo durante muito tempo e é usado até hoje quando dizemos, por exemplo, que alguém tem risada de bruxa ou que é feia igual a uma. Com sociedades e religiões predominantemente patriarcais, é muito difícil negar que todos os julgamentos eram pura misoginia, principalmente porque o alvo eram exclusivamente mulheres. Isso reflete inclusive na forma como descrevemos a bruxa. O termo em si é feminino em quase todos (se não todos) os idiomas. Em pesquisas é possível ver nitidamente a diferença entre a figura feminina e a masculina no senso comum, a figura da bruxa sendo sempre representada como uma mulher velha com chapéu pontudo em uma vassoura, mas nunca um homem na mesma situação. Enquanto o termo "mago" era usado para descrever um homem que praticava ciências ocultas na antiguidade, sendo inclusive alguém muito requisitado por nobres, o termo "bruxa" era usado para descrever uma mulher que praticava magia negra proibida, por vender a alma pro diabo para adquirir poderes sobrenaturais. Por que o termo é elevado para o homem e condenador para uma mulher?


Muitas mulheres acusadas de bruxaria e de compactuar com os malfeitos de uma figura cristã tão representativa e simbólica como o Diabo, tão temida e também extremamente estereotipada no conceito coletivo comum, ganharam características físicas que eram associadas à essa figura que provocava e ainda provoca medo, como uma forma de aproximar aquilo que não é tolerado à uma figura temida e odiada. Essas diversas características físicas atribuídas às mulheres, potenciais bruxas, vivem no nosso imaginário desde a antiguidade. Essas características ou marcas funcionam no contexto social muito bem através de estereótipos, qualquer mulher com uma mancha era apontada na rua e poderia ser condenada por praticar bruxaria, mesmo que não a praticasse.

Esses estereótipos foram usados principalmente para mascarar um ato de resistência feminina durante muito tempo, inclusive a partir do surgimento de religiões neopagãs que possuem foco em ciências ocultas, alquimia e herbologia se tornou mais forte, carregam o estereótipo da bruxa dos filmes e desenhos animados quase totalmente, se esquecendo ou cismando em ignorar acontecimentos históricos ao incluir principalmente o termo no masculino para homens que dizem praticar bruxaria e resumem o termo nisso, como se ser bruxa se baseasse unicamente em praticar bruxaria, fazer celebrações, usar roupas figurativas e fazer magia de potinho. Não necessariamente se é bruxa por praticar bruxaria ou pertencer à uma religião que usa medicina natural. Se é bruxa primeiramente e simplesmente por ser mulher, depois disso cabe à cada uma inserir tudo aquilo que pratica.


NARIZ GRANDE E PONTUDO COM VERRUGAS Para que causasse medo e furor, as mulheres que estavam fora dos padrões aceitos impostos na época precisavam possuir aparência demoníaca, que causasse asco. Uma dessas formas foi associar o nariz grande e pontudo a "praticantes de bruxaria", junto a um rosto cheio de marcas e verrugas, à marcas demoníacas. Qualquer mulher que tivesse alguma marca no corpo ou as características determinadas poderia ser levada à julgamento, em 98% dos casos eram torturadas, condenadas e assassinadas. CABELOS BRANCOS, CEGUEIRA Mulheres de diversas idades em situação de pobreza eram o principal alvo da igreja e do estado, eram presas, torturadas durante dias e quando condenadas (na maioria das vezes), eram assassinadas de formas cruéis. Os principais métodos de punição era queima na fogueira em praça pública, apedrejamento, guilhotina, enforcamento e afogamento. Mulheres pobres que não queriam ter filhos e idosas que não podiam mais gerar filhos eram principal alvo de boatos. Isso porque eram consideradas mulheres inférteis, devido à venda de sua alma pro diabo, que segundo a crença popular, era o motivo de não se gerar descendentes. "Não pode ser apenas coincidência que, no momento em que os índices populacionais caíam e em que se formava uma ideologia que enfatizava a centralidade do trabalho na vida econômica, tenham se introduzido nos códigos legais europeus sanções severas destinadas a castigar as mulheres consideradas culpadas de crimes reprodutivos." (Silvia Federici. Calibã e a Bruxa: Mulheres, Corpo e a Acumulação Primitiva) Muitas mulheres jovens eram acusadas de usar disfarces de dia e voltarem a sua forma natural de noite, normalmente a forma de velha. Outros contos mostram que a bruxa ficava linda e jovem por causa do sangue de virgens ou porque comiam criancinhas em suas refeições e quando não conseguiam capturar jovens e crianças para manter a boa forma, envelheciam. “A caça às bruxas foi, portanto, uma guerra contra as mulheres; foi uma tentativa coordenada de degradá-las, de demonizá-las e de destruir seu poder social. Ao mesmo tempo, foi precisamente nas câmaras de tortura e nas fogueiras onde se forjaram os ideais burgueses de feminilidade e domesticidade. Também nesse caso, a caça às bruxas amplificou as tendências sociais de então. De fato, existe uma continuidade entre as práticas que foram alvo da caça às bruxas e aquelas que estavam proibidas pela nova legislação introduzida na mesma época com a finalidade de regular a via familiar e as relações de gênero e a propriedade." (Silvia Federici. Calibã e a Bruxa: Mulheres, Corpo e a Acumulação Primitiva)

MAGREZA EXCESSIVA Por conta da pobreza, contaminações, trabalhos escravos e pouca comida, muitas pessoas e principalmente mulheres morriam de fome. A degradação do corpo é algo atualmente muito explicável se estudarmos o feudalismo, mas na época não era assim. Toda doença e toda pobreza era mais um dos tantos motivos para acreditar que mulheres tinham feito pactos com o diabo, e que devido a isso, seus corpos serviam de alimento para essa figura maléfica cristã, e através da possessão ficavam magras e morriam.


FALTA DE DENTES A perda ou falta de dentes é muito retratada ainda hoje em diversos filmes de terror. Esse seria um "sintoma" de que uma pessoa estivesse sendo possuída por um demônio à paisana.O péssimo hábito de higiene, a falta de escovação, a falta de dinheiro para investir em produtos e a falta de médicos eficientes da época fez com que muitas pessoas perdessem seus dentes. Esse não era um bom sinal, também era associado à figura malévola cristã.


VASSOURAS, NUDEZ Era muito comum associar objetos fálicos à imagem de mulheres consideradas fora do padrão, afinal, tudo o que elas procuravam eram liberar seus desejos ocultos, mulheres livres e muito sexuais eram vistas com ódio, já que a principal figura associada à sagrada virgindade era Maria mãe de Jesus, a mulher boa e comportada que foi e infelizmente ainda é a representação de uma boa esposa. "A mulher é o Outro em que o sujeito se supera sem ser limitado, que a ele se opõe sem o negar. Ela é o Outro que se deixa anexar sem deixar de ser o Outro. E, desse modo, ela é tão necessária à alegria do homem e a seu triunfo, que se pode dizer que, se ela não existisse, os homens a teriam inventado. Eles inventaram-na. Mas ela existe também sem essa invenção. Eis por que é, ao mesmo tempo, a encarnação do sonho masculino e seu fracasso. [...] Isso significa que a mulher é necessária na medida em que permanece uma Ideia em que o homem projeta sua própria transcendência; mas que é nefasta enquanto realidade objetiva, existindo por si e limitada a si." (Simone de Bouvoir. O Segundo Sexo) A vassoura é um dos tantos objetos associados à mulheres condenadas por bruxaria. Uma das acusações era justamente voar em vassouras pelos céus procurando criancinhas para refeições. Além de uma forma eficaz de controlar e educar crianças, era uma prova infalível na condenação de uma bruxa. Algumas mulheres eram acusadas de andar nuas durante a noite, procurando homens para copular, muitas vezes era dito que algumas mulheres se encontravam no meio da floresta durante a noite para dançar com demônios e copular com eles. "A função social das terras comunais era especialmente importante para as mulheres, que, tendo menos direitos sobre a terra e menos poder social, eram mais dependentes das terras comunais para a subsistência, a autonomia e a sociabilidade. Segundo Clark, a importância dos mercados para as mulheres na Europa pré-capitalista, é que as terras comunais também eram o centro da vida social das mulheres, o lugar onde se reuniam, trocavam notícias, recebiam conselhos e podiam formar um ponto de vista próprio — autônomo da perspectiva masculina — sobre os acontecimentos da comunidade."(Silvia Federici. Calibã e a Bruxa: Mulheres, Corpo e a Acumulação Primitiva)


BRUXARIA / MAGIA NEGRA

Somente homens podiam exercer legalmente a arte da cura (medicina), toda mulher que fosse curandeira e parteira era acusada de bruxaria. Dizia-se que os bebês mortos durante o parto eram dados ao diabo pela parteira como sacrifício, já a curandeira envenenava pessoas ao invés de curá-las dando também abertura para possessão demoníaca.


"Na acusação de que as bruxas sacrificavam crianças para o demônio — um tema central da “grande caça às bruxas” dos séculos XVI e XVII — podemos interpretar não só uma preocupação com o declínio da população, mas também o medo que as classes abastadas tinham de seus subordinados, particularmente das mulheres de classe baixa, que, como criadas, mendigas ou curandeiras, tinham muitas oportunidades para entrar nas casas dos empregadores e causar-lhes dano." (Silvia Federici. Calibã e a Bruxa: Mulheres, Corpo e a Acumulação Primitiva)


Mulheres que perdiam bebês por aborto espontâneo ou mesmo as que recorriam à curandeiras para fazer abortos eram acusadas de fazer sacrifício humano em troca de poderes sobrenaturais.


"[...] essa guerra foi travada principalmente por meio da caça às bruxas, que literalmente demonizou qualquer forma de controle de natalidade e de sexualidade não procriativa, ao mesmo tempo que acusava as mulheres de sacrificar crianças para o demônio. [...] Também foram adotadas novas formas de vigilância para assegurar que as mulheres não interrompessem a gravidez." (Silvia Federici. Calibã e a Bruxa: Mulheres, Corpo e a Acumulação Primitiva)


POÇÕES, FEITIÇOS E MALDIÇÕES

Por causa de seus papéis de gênero muito evidentes, as mulheres foram por muito tempo condicionadas aos cuidados do lar e família, a medicina natural era quase que exclusivamente dominada por mulheres e permaneceu por muito tempo em diversos países, até surgirem as primeiras universidades de medicina que eram totalmente e exclusivamente para homens até os anos 20.

“Os erros do povo ou erros populares em questões de medicina”

A masculinização da prática médica retratada em gravura inglesa de 1651.

Mostra um anjo afastando uma curandeira do leito de um homem doente. A faixa denuncia sua incompetência.


Tudo o que não era feito por padres e médicos homens eram tomados como bruxaria e sempre representavam negativamente essas práticas naturais, já que a parte influente era sempre homem (médico, mago e/ou padre), tudo o que não fosse feito por homens era contra deus e portanto diabólico. Homens que praticavam ocultismo, alquimia e outros, eram chamados de magos e exerciam esse ofício em cortes para reis e nobres, enquanto as mulheres eram chamadas pejorativamente de bruxas, e condenadas por pessoas ou excluídas de comunidades por exercer o mesmo ofício.

GATO PRETO, ROUPAS PRETAS, CHAPÉU PONTUDO

Como é possível ver até hoje, tudo o que é preto/negro é visto como algo ruim. Até hoje nosso dicionário carrega racismo e machismo. As bruxas são conhecidas pela cor preta, que simboliza a escuridão. Gatos pretos, roupas escuras, a própria noite, corvos, corujas, morcegos e outros, eram associados a bruxas, que segundo crenças populares sempre carregavam mau presságio.

Bruxas conjurando um aguaceiro, xilogravura em Ulrich Molitor, De Lamiies et Pythonicis Mulieribus (1489).


PACTO, CÓPULA COM O DIABO, PECADO E ADULTÉRIO

Algumas acusações eram principalmente de adultério, enfeitiçar homens casados ou muito jovens e deixar homens e mulheres inférteis. Muitas vezes gravidez indesejadas, casamentos ruins e traições eram associadas a relações de pecado com o próprio demônio, que segundo a igreja, induzia mulheres ao pecado.

Castigo por adultério. Amarrados um ao outro, os amantes são levados pelas ruas. Miniatura de um manuscrito de 1296, Toulouse, França.


Entre a saída do feudalismo e a entrada do capitalismo, muitas pessoas ficaram sem terras, sem comida e à mercê de doenças, em situações deploráveis. Mulheres mais velhas e mais frágeis eram abandonadas por seus familiares e prejudicadas por doenças e pelas péssimas condições de higiene da época, além da situação econômica, eram violentadas, agredidas física e verbalmente por trazerem mau agouro para pessoas e lugares, assim como contaminação, mortes e diversas doenças. "Com terras comunais cercadas e a privatização destas as diferenças econômicas entre a população rural se aprofundaram a medida que aumentou o número de ocupantes ilegais que não tinham nada além de uma cama e uma vaca, e a quem não restava outra opção [...] famílias se desintegraram, os jovens deixaram os vilarejos para se unir à crescente quantidade de vagabundos ou trabalhadores itinerantes — que logo se tornaram o principal problema social da época —, enquanto os idosos eram abandonados à sua própria sorte. Isso prejudicou principalmente as mulheres mais velhas, que, não contando mais com o apoio de seus filhos, caíam nas fileiras dos pobres ou sobreviviam à base de empréstimos, pequenos furtos ou atrasando o pagamento de suas dívidas. O resultado foi um campesinato polarizado não apenas por desigualdades econômicas cada vez mais profundas, mas também por um emaranhado de ódio e de ressentimentos que está bem documentado nos escritos sobre a caça às bruxas." (Silvia Federici. Calibã e a Bruxa: Mulheres, Corpo e a Acumulação Primitiva) Todos esses atributos eram comuns na associação à população mais prejudicada economicamente, mulheres em situação de rua, por não ter direito à terras e bens do falecido marido, já que não tinham direito a nada simplesmente por serem mulheres. Idosas que eram excluídas das cidades e moravam em situações deploráveis em campos e/ou florestas, mulheres que não concordavam com leis ou dogmas e até mesmo as que por algum motivo não sucumbiam às vontades de homens no poder, mulheres que eram abusadas sexualmente e sem leis que as protegessem, abortavam.


"Hoje são os homens jovens, muitas vezes sem emprego, que propiciam a mão de obra para as caças às bruxas, embora, com frequência, executem planos tramados por outros protagonistas, que permanecem nas sombras. Contratados e treinados como mercenários por políticos, exércitos rebeldes, empresas privadas ou pelo Estado, eles estão prontos para organizar expedições punitivas, especialmente contra pessoas idosas a quem culpam por seus infortúnios e a quem enxergam como fardo e obstáculo a seu bem-estar." (Silvia Federici. Mulheres e Caça às Bruxas) Todas essas coisas davam e ainda dão muita criatividade para o imaginário social, muitas personagens foram criadas para o cinema e para novelas, para desenhos e séries, ilustrações, histórias e lendas locais, sendo muito forte ainda hoje. Crescemos ouvindo que a bruxa é uma mulher má e feia que odeia criancinhas, princesas e transformam pessoas em sapos. Quando crescemos isso fica ainda pior, porque associamos tudo isso de negativo à mulheres e religiões não cristãs.


"Só em 1996, a Comissão Congolesa de Monitoramento dos Direitos Humanos registrou cerca de uma centena de casos de pessoas idosas acusadas de bruxaria que foram enforcadas." (Silvia Federici. Mulheres e Caça às Bruxas)

Na literatura, nos filmes e em séries o estereótipo da bruxa é sempre perverso e carrega todas essas características geradas pelo misticismo. Muitas obras fictícias também tem tratado as bruxas como mulheres futuristas que viajam para o passado através de portais mágicos espalhados pelo mundo e que por suas ideias menos primitivas e sinais claros das diversas tecnologias, como cuidados com a pele (não possuindo marcas do trabalho pesado pelo corpo), marcas de vacinas e outros, tendo o podem mudar o passado. Que essas mulheres eram futuristas, não há dúvidas; muitas mulheres tinham pensamentos além de seu tempo, como foi durante muitas décadas, seguindo até hoje. Apesar disso, ver questões básicas em debate nos dias de hoje sendo vetadas por intolerantes e preconceituosos é a prova de que nossas vozes são silenciadas a cada pequena ou grande crise política e econômica. "A imagem da bruxa, ao longo da história, é a manifestação máxima do medo e do ódio direcionado a mulheres que ousam existir de formas autônomas." ( Judith Butler) É fato que o termo carrega historicamente muito mais do que ideias e práticas religiosas pagãs, o termo carrega a resistência de milhares de mulheres torturadas e assassinadas por meio de acusações sem fundamento e sem provas, como forma de silenciamento de mulheres que se opunham às intervenções abusivas e misóginas do clero. As bruxas são hoje o que nós entendemos por feministas, é muito mais uma questão de política do que propriamente fundamentalismo religioso neopagão. "Há mais bruxas na Marcha das Vadias do que em Paranapiacaba." (Márcia Frazão) Nós carregamos durante a vida toda um estereótipo da bruxa com nariz grande, verruga no rosto, risada alta, falta de dentes, chapéu pontudo, vassouras e caldeirões, que apesar de parecer muito divertido, só reflete o nosso descaso e intolerância com mulheres que crescem querendo caber em estereótipos irreais de mulheres boas que fazem parte do imaginário masculino extremamente segregativo, e com mulheres de fazem da homeopatia, herbologia e a arte de fazer partos (parteiras ou doulas) seu ofício.

 
 
 

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