ESTADO E IGREJA EXECUTARAM 9 MILHÕES NO OCIDENTE NOS SÉCULOS XVI E XVII
- 13 de mar. de 2021
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(Imagem recriando um julgamento em Salém, Nova Inglaterra)
Texto por Monstserrat Barba Pan
Tradução do espanhol por @apotecarium
Atualizado em 01/Novembro/2015
Estima-se que nove milhões de mulheres foram vítimas de um genocídio na Europa e nos Estados Unidos durante os séculos XVI e XVII, acusadas de buxaria. Entretanto, as bruxas não passaram pela história por seu valor, independência e sabedoria, mas como um ícone de maldade e terror, que forma parte dos relatos de meninas e meninos, filmes, literatura e lendas, que se transmitem de geração em geração.
O feminismo, sobre tudo desde os anos 70, tem resgatado até nossos dias a verdadeira história que se esconde atrás da caça de bruxas: o nascimento de um novo sistema econômico na Idade Média onde a igreja e o Estado se aliaram para impor uma moral e um regime de domínio das terras e bens e em qualquer forma de resistência era paga com isolamento e a morte.
O que aconteceu então com as mulheres que estudavam remédios naturais e as propriedades curativas de ervas? E as que se encarregavam da natalidade e pratica de aborto? Durante o advento do capitalismo, intensificou-se o controle sobre as mulheres, de seus corpos, a maternidade, seu papel social, e as peças rebeldes, como essas mulheres independentes e livres sexualmente, foram vítimas de um genocídio de dois séculos "que junto ao tráfico de escravos e a conquista da América, foram imprescindíveis para instaurar o capitalismo moderno", nas palavras de Silvia Federici, autora de "Calibã e a Bruxa".
Esse livro é fundamental para conhecer essa etapa da história e como a heresia e a bruxaria não eram mais que supostos delitos instaurados pela misoginia.
APROPRIAÇÃO DE TERRAS E VIOLÊNCIA SEXUAL
Curandeiras, profetisas, artesãs, a atividade dessas mulheres que mantiveram comunidades humildes e campesinas as converteu em suspeitas por desafiar a ordem patriarcal e, tal e como se relata no livro "A Heresia das Bruxas na Europa - 200 Anos de Terror Misógino", de Anne Lewellyn, foram perseguidas, torturadas e vítimas de violência sexual. Muitas exerciam o papel de líderes espirituais e eram executadas em público como uma forma de intimidar a sociedade. As vítimas idôneas eram viúvas de muita idade, já debilitadas e dependentes do Estado, assim como as "mulheres sem marido, irmãos ou filhos que eram acusadas de bruxaria com mais frequência para que se apoderassem de suas propriedades", como indica a investigação de Carol Karlsen sobre os processos de bruxaria na Nova Inglaterra.
Com esses assassinatos exemplares, todas as mulheres estavam sob suspeita se questionassem a obediência. Muitas delas eram vítimas de violência machista em um contexto "de supremacia das relações sociais masculinas". "O sistema patriarcal também explica por que muitas supostas 'bruxas' foram acusadas por outras mulheres: se uma desgostava ou ameaçasse os homens da comunidade, também eram consideradas perigosas pelas mulheres que dependiam desses homens ou se identificavam com eles. A interiorização da 'não aceitabilidade' é muito profunda", explica Lewellyn.
ALEMANHA: O EPICENTRO NA EUROPA
A caça às bruxas foi mais ou menos intensa nos diferentes estados e países.
Na Europa, na Alemanha e os países em sua redondeza se produziram entre a metade e a três quartos da partes das execuções, na Escócia se deram muitos casos mas por outro lado não se conhecem casos na Irlanda. Em outros países francófonos se associou a bruxaria com a "possessão demoníaca". Na Itália e Espanha, ainda que tiveram muitas investigações, apenas executaram mulheres.
É evidente que, apesar de tudo o que foi escrito e reivindicado desde o feminismo, a verdadeira história da caça às bruxas deve continuar sendo indagada já que se conecta diretamente com a origem do feminismo e com a espiritualidade e a forma de liderar específica esses grupos de mulheres. Como assinalam as integrantes de W.I.T.C.H, "a história oculta da liberação das mulheres começou com bruxas e ciganas, porque são as mais antigas guerrilheiras e lutadoras da resistência".
Bibliografia:
Fonte: "Calibã e a Bruxa", de Silvia Federici; "A caça às Bruxas na Europa. 200 Anos de Terror Misógino". Editorial Tikal; "W.I.T.C.H. Comunicados e Feitiços". Editorial La Felguera.
Texto traduzido pelo blog Casa e Sabedoria da Bruxa do espanhol para o português em 01/Novembro/2017 através do link www.aboutespanol.com/las-cazas-de-brujas-el-genocidio-de-mujeres-sabias-y-libres-1271652.








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