O GATO NO IMAGINÁRIO SOCIAL
- 22 de jun. de 2021
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Desde tempos remotos, os felinos são figuras envolvidas em diversos folclores e lendas ao redor do mundo, dos pequenos ao grande porte, o gatos são um verdadeiro mistério para a humanidade até hoje.
Cercado de especulações mágicas e espirituais, esses animais são conhecidos por sua destreza, inteligência, independência, velocidade, cautela e camuflagem e por isso associados à magia, conhecimento do sobrenatural, cura, maldições e bênçãos em diversas culturas ao redor do mundo.
A origem do gato doméstico, felino de pequeno porte, ainda é desconhecida. Sabe-se que é um animal que se desenvolveu ao ser domesticado para conviver e coexistir com seres humanos desde a pré-história, assim como os lobos que ao longo dos séculos se tornaram cães de guarda, cães de caça, cães pastores, cães policiais e outros.
A aproximação com os seres humano veio junto com o alimento, por isso, sabe-se que a nossa relação tão próxima e profunda com os gatos vai além de misticismo e superstição, é uma relação mútua de afeto e troca que aconteceu de forma natural e orgânica, apesar das diversas intervenções genéticas desenvolvidas e praticadas pela humanidade.
Já os grandes felinos, inspiram medo e admiração desde a pré-história, ainda assim incorporam-se na cultura de diversos povos ao redor do mundo, em crenças religiosas, nas tradições, artes e ideologias de grandes e pequenas civilizações. De nossa parte humana, existe muita fascinação e interesse pelo comportamento predatório e sagaz desses animais, não atoa nossos ancestrais se inspiraram em seu estilo de vida, especialmente na arte da caça.
Eles nos inspiram interesse, curiosidade, amor e medo, tornaram-se um dos maiores mistérios para a humanidade e seguem firmes nessa posição de amor e ódio. Esse é um dos animais com maior poder sobre a nossa fértil imaginação, ora adoramos em grandes e tecnológicas civilizações, ora odiados e caçados como peste, o gato está presente de forma bastante profunda em nosso imaginário social graças ao seu processo evolutivo que garantiu à eles segurança e uma boa vida, muitas vezes até cheia de luxo e glamour.
OLHOS QUE BRILHAM, OLHOS DO DIABO
É de conhecimento popular que os olhos são as janelas da alma e durante muito tempo esse foi um veredito para os felinos, seu estilo de vida noturno e suas características físicas, como olhos que brilham no escuro e sua íris que podem crescer e afinar, apesar de devidamente explicadas pela biologia, eram considerados provas incontestáveis de sua ligação com o diabo.
Até hoje muitas pessoas ainda associam essas características ao oculto e maligno e têm medo de se aproximar de um gato quando está sob essas condições com medo de que possam atacar ou se transformar em algo ainda mais assustador.
SIBILO, DENTES E GARRAS AFIADAS, PÊLOS FRIZADOS
Seu miado estridente e sibilio também foram associados ao maligno, apesar de demonstrar descontentamento e preservação de seu território, eram considerados mau comportamento e inegável ligação com forças sobrenaturais ruins.
Muitas pessoas até hoje ligam esse comportamento à poderes sobrenaturais que demonstram que o gato não gostou de uma pessoa pela sua energia ou que provavelmente possa ter visto algum espirito no ambiente com sua intuição e ligação com o além.
GATO PRETO, MAU AGOURO
Muitas pessoas ainda não se livraram da superstição de que gatos pretos podem trazer mau agouro, maldições e azar. Conhecimentos populares podem ser nocivos para muitas pessoas e animais quando boatos sem respaldo científico são espalhados, muitos gatos pretos são usados até hoje em sacrifícios para entidades e Deuses ou maldições, além de serem os menos procurados para adação devido a essas superstições.

GATOS E BRUXAS
A relação estreita entre felinos e advinhos se dá na pré-história, excelentes companheiros de curandeiras e advinhos desde muito tempo, principalmente pelas afinidades que tinham com esses animais, foram associados à práticas mágicas e ocultas na Caça às Bruxas e muitos deles foram sacrificados, perseguidos e queimados por sua ligação com condenadas por bruxaria na inquisição.
Sabe-se também que muitos desses animais eram considerados espíritos malignos, feiticeiras/bruxas disfarçadas, filhos do diabo com bruxas e também um elo com demônios, somente pelas suas características físicas e comportamentais, levando à ferro o ditado "diga-me com quem andas e direi quem és".
ESPÍRITOS E A ARTE DE CURA
Durante muito tempo em diversas civilizações ao redor do mundo os felinos tiveram ligados à arte da cura e ao acesso para o além, alguns conhecimentos populares frisam a sua importância dentro de casa e em diversos ambientes, é de conhecimento popular que o gato pode agir intuitivamente em um processo de cura, exorcismo e limpeza das energias de um ambiente.
Muitas pessoas dizem que se o gato se afasta ou sibila para alguém é pode ser um sinal de que não gostou dessa pessoa pois ela é ruim ou tem más intenções, também é dito que a cor do gato influencia em seu comportamento e age de forma energética sobre coisas específicas como aumentar, diminuir ou deixar neutra a energia do ambiente.
Lendas populares sugerem também que se o gato estiver com os pêlos todos para o alto é um sinal de que ele está vendo espíritos, que a famosa "serenata" durante a noite revela presságios e afasta energias ruins e que se um gato deitar em algum lugar próximo a uma determinada região do corpo é sinal de que há alguma doença ou problema naquele lugar e com seu ronron, inicia um processo de desintoxicação.
De um felino selvagem à um gato domesticado, de uma figura que remete medo à um caçador de ratos vangloriado durante a Peste Negra. A história da humanidade em relação aos felinos é de puro amor e ódio, adorado e endeusado no Antigo Egito, perseguido e caçado na Europa durante a Idade Média, temido e adorado pela Ásia.
O gato que conhecemos hoje é fruto de nossa imaginação e das histórias que criamos sobre eles, de nossa relação estreita com nós mesmos e o outro em um processo de conhecimento e descobertas, um eterno mistério para uma espécie tão auto destrutiva como a nossa e uma lição de como é lidar com aqueles que não necessariamente dependem de nosso afeto e condições.








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