USO DE ERVAS NA ANTIGUIDADE
- 13 de mar. de 2021
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Foto: Joanna Kosinska
Com a criação da primeira universidade de medicina na Europa aproximadamente no século IX a.C, todo o conhecimento da medicina natural que estava nas mãos de mulheres (curandeiras, parteiras e etc.) foi dado aos homens, marginalizando o conhecimento popular das ervas e criminalizando as práticas das mulheres no campo da medicina. Mesmo de forma ilegal, as mulheres continuavam a utilizar os antigos métodos e eram muito requisitadas nos povoados, posteriormente com a explosão da caça às bruxas nos séculos XV a XVIII, todo o ofício já marginalizado foi perseguido sob acusação de serem práticas demoníacas (bruxaria), já que declarava-se muito mais eficiente a medicina praticada por homens com acesso à universidade.
Nenhuma mulher tinha acesso à universidade e pouquíssimas sabiam ler, todo o conhecimento que elas possuíam era transmitido de forma oral, passado de geração a geração durante séculos. A exclusão de mulheres das universidades gerou como resultado a marginalização de suas práticas que muitas vezes garantia a sobrevivência de mulheres mais pobres que não tinham direito à heranças de falecidos maridos como sua terra e/ou bens, simplesmente por serem mulheres.
A prática da bruxaria, ou como gosto de chamá-la "ofício" foi quase que exclusivamente praticada por mulheres na antiguidade. A inquisição ou caça às bruxas, iniciada pela igreja católica com maior poder político na época, mostrou covardia, interesse econômico e político, controle de massas e injustiças no genocídio de mulheres por não se submeterem às ordens e subornos de líderes religiosos ou se converter para sua religião, que resultou em um processo extenso e sofrido de julgamentos e punições com perseguições, tortura e morte, assim como exclusão, machismo, intolerância religiosa, racial e de classe, em muitos lugares do mundo.
Apesar do genocídio de mulheres durante a caça às bruxas, todo o conhecimento da medicina natural popular ainda é conhecida e praticada até hoje, mesmo que ainda marginalizada pela medicina que não considera o estudo de muitas ervas, somente pela praticidade dos remédios industrializados da nossa sociedade capitalista, o interesse pela medicina popular que é mais lenta e considerada "primitiva" tem crescido muito nos últimos anos.
"Em maio de 1978 através de uma resolução da sua XXXI Assembléia Geral, a OMS (Organização Mundial da Saúde) Órgão das Nações Unidas determinou o início de um programa mundial a fim de avaliar a utilização dos métodos da medicina popular."(Livro Plantas que Curam - Vol. 1)
Surgindo como apoio à medicina surgiu a medicina alternativa ou terapia alternativa, que traz as práticas milenares e ancestrais para o uso no dia a dia na sociedade moderna como uma fonte extra de tratamento. Sem excluir a medicina medicamentosa, com remédios industrializados, a medicina alternativa surge buscando as respostas que a ciência ainda não pode nos dar sobre a cura relacionada à crenças e sobre a cura com ervas que ainda são pouco estudadas.
USO DE ERVAS NA MODERNIDADE
Dos 400 tipos de ervas medicinais usadas pelo médico grego Hipócrates mais da metade ainda é utilizada hoje pela medicina. Dioscorides compilou as primeiras ervas conhecidas pela medicina que continuam a ser usadas, mesmo depois de 1.600 anos. O conhecimento sobre droga oriental como o maxixe, por exemplo, foi adicionado aos livros por escritores clássicos e graças a isso conhecemos e utilizamos hoje para diversos fins, inclusive na culinária.
Com os avanços da medicina o conhecimento popular foi se perdendo, enquanto temos alguém que faça e receite medicamentos de uso prático, mal sabemos fazer um chá e mal conhecemos as propriedades medicinais das ervas. Graças à tecnologia temos fácil acesso para investigarmos as propriedades de uma erva e aderir à medicina natural, mesmo assim, nem todo conteúdo é verídico e confiável, seja pela propagação de informações erradas, seja pela falta de estudos sérios por parte da ciência sobre algumas plantas específicas e seus benefícios e/ou malefícios.
A medicina considera um campo "extra" o que chamamos de terapias alternativas ou medicina alternativa, todas as práticas que utilizam sem auxílio médico algum conhecimento popular ancestral, alguns exemplos de conhecimentos antigos usados até os dias de hoje e já reconhecidos como terapias naturais alternativas são:
Argiloterapia (terapia com argila)
Aromaterapia (terapia com odores e massagens)
Acupuntura (terapia com agulhas)
Fitoterapia (uso de plantas para cura ou tratamento)
Cromoterapia (terapia com uso de cores)
Auriculoterapia (terapia com uso de agulhas em pontos específicos na orelha, semelhante a acupuntura)
Musicoterapia (terapia com música)
Essência floral (terapia com uso de substância floral) Nada mais lógico que voltarmos nossos olhos para a técnica milenar de aproveitamento e uso de plantas medicinais, remédios naturais do qual os homens e as mais diversas e distintas civilizações se valem desde a sua origem, como forma de complementar tratamentos que possuam reconhecimento da medicina. É importante que uma coisa acrescente na outra, sem que ignoremos a funcionalidade de ambas, mas para isso é mais importante tomar conhecimento do que se consome, do que se toma e de como se toma, o natural em excesso prejudica tanto quanto o industrial em excesso usado sem prescrições e cuidados.








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